André Pereira @ 00:00

Ter, 28/06/11

    "Horários de trabalho, casas para pagar, declarações de IRS a preencher: em 2006 os sinais da idade adulta já não podiam ser ignorados. Mas podiam ser fintados, e na clandestinidade de um prédio semi-devoluto do centro de Lisboa começaram uns ensaios. Os armários da adolescência foram abertos; o pó foi limpo; as guitarras desenferrujadas. O vizinho do terceiro andar foi o primeiro a não levantar objecções. As famílias foram tolerando e os amigos apareciam aos primeiros concertos. Surpreendentemente, voltavam. Havia coisas para dizer, e elas foram sendo ditas. Histórias de uma certa clandestinidade emocional que de repente era exposta à luz do dia.
    Entretanto, o prédio do centro de Lisboa deu lugar a uma sala na fronteira entre Moscavide e Sacavém. Houve uma ida aos Olivais para gravar duas canções; houve um fim-de-semana no Porto para gravar mais duas. Uma dessas canções passou na rádio. Ninguém tentou proibir.

    Se a música pop serve para seduzir raparigas, o processo corria bem: foram festejados dois casamentos.

Em 2009 surge a primeira colecção de canções, intitulada homonimamente TRÊSPORCENTO, que é um agradecimento (e uma justificação) a todos aqueles a quem os ensaios roubaram tempo; e também uma homenagem à vontade juvenil de ser um músico de palco. Dois anos mais tarde lançam o seu álbum de estreia, "Hora Extraordinária".

    Cada dia que passa fica mais difícil fintar a idade adulta, que vai impondo uma grelha de prioridades onde o pedal de distorção vai perdendo espaço. Mas os TRÊSPORCENTO ainda estão muito longe de desistir."

 

 


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“A música exprime a mais alta filosofia numa linguagem que a razão não compreende” Arthur Schopenhauer
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